Seguir Cristo: o verdadeiro caminho da conversão
26 de Março de 2025
Entramos mais uma vez no santo tempo da Quaresma. Quarenta dias que nos convidam a um mergulho interior, à escuta da Palavra e ao retorno sincero ao coração de Deus. Mas, afinal, o que significa converter-se? E mais ainda: como viver, de fato, a conversão?
Muitos pensam que converter-se é apenas mudar de atitude ou deixar de cometer determinados pecados. É verdade que a conversão começa com o arrependimento, mas não termina aí. A conversão cristã não é apenas um movimento de afastar-se do mal, mas, sobretudo, um movimento de aproximação de uma Pessoa: Jesus Cristo. Ser cristão não é realizar regras ou cumprir ritos — é seguir Jesus no cotidiano, nos gestos concretos, nas escolhas de cada dia.
Foi isso que entenderam os santos. Santo Agostinho, por exemplo, passou boa parte da vida buscando a verdade longe de Deus. Mas quando encontrou a Palavra, o Verbo de Deus, algo mudou em sua alma. Ele não quis apenas conhecer Jesus; ele desejou ser como Jesus – discípulo do Mestre. E esse desejo transformou sua vida por completo.
A Quaresma nos chama a esse mesmo caminho. Não basta confessar, jejuar ou praticar esmolas se nosso coração permanece fechado ao próximo, indiferente ao sofrimento alheio, ou preso à vaidade e à aparência. A pergunta que deve ecoar em nós é: estou realmente seguindo Cristo?
Seguir Cristo é perdoar como Ele perdoou, amar como Ele amou, servir como Ele serviu, viver com humildade, mansidão, obediência ao Pai e compaixão pelos pequenos. Não é fácil. Mas quem disse que o caminho da cruz seria fácil? A cruz é escolha. E a Quaresma nos obriga a escolher um lado: ou caminhamos com Jesus, ou nos acomodamos com o mundo.
O lado de Jesus é o lado do Evangelho vivido “sine glossa”. É o lado da justiça, da paz, da verdade. É o lado de quem acolhe o pecador sem compactuar com o pecado. É o lado de quem denuncia o mal, mas com misericórdia. É o lado de quem ama até o fim, mesmo quando é traído, caluniado ou crucificado. De quem não fica trancafiado em preconceitos.
Queremos uma Igreja santa? Comecemos por ser discípulos de Cristo. Padres, religiosos, bispos, leigos: todos somos chamados à santidade. E a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todos. Santo Agostinho foi transformado porque deixou de admirar Jesus apenas com palavras e passou a segui-Lo nas ações. E você? Já escolheu de que lado está?
Nesta Quaresma, não percamos tempo com práticas vazias. Vivamos uma fé encarnada. Que o nosso jejum alimente os famintos. Que a nossa oração nos aproxime dos que sofrem. Que a nossa esmola seja discreta, mas eficaz. Que a nossa penitência nos torne mais parecidos com Cristo.
Porque, no fim, não será salvo quem mais cumpriu ritos, mas quem mais se assemelhou ao Filho de Deus.
Dom Jailton Oliveira Lino
Bispo de Teixeira de Freitas/Caravelas (BA)
Fonte: Cnbb
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